Hoje eu não acordei
cedo para correr, aliás, eu nem acordei cedo. Tenho a sensação de que o dia não
rendeu, não terminei nenhum trabalho, comi uns doces a mais e volto à lembrança
de que não acordei cedo para correr, aliás, eu nem acordei cedo.
O celular me distraiu
mais do que podia, o tempo passou rápido e só vi quando o dia acabou e eu
estive o dia quase todo de frente a esse computador, lendo, escrevendo,
tentando reler e lembrando que nos meus 30, eu não acordei cedo para correr,
aliás eu nem acordei cedo.
Porque eu sei que
quanto mais tempo a gente demora a se acordar mais a gente se arrepende do que
deixou de fazer no dia, deixou de fazer na vida.
Eu hoje acordei com
mais de trinta anos que segundo Rubem Alves eu não tenho mais e só Deus sabe
quantos anos a mais eu tenho.
E volta e meia eu vejo
que não estou em Paris, nem na China, no Pará ou em outro lugar. Continuo aqui
dentro dessa fortaleza, que não tem nada a ver com proteção e sim com
comodismo, dos dragões que outrora eu não ousei enfrentar, simplesmente porque
dormi até tarde na vida e não deu tempo de correr enquanto o sol estava frio e
não esturricaria minha pele.
E esse é o meu humor do
dia, o que falta vitamina D, o que faltou ar pra respirar, faltou espaço pra
movimentar minhas pernas e mexer com o que está quieto dentro de mim, em algum
lugar.
Hoje eu não fui fit, eu
não gargalhei, eu não zuei, eu não vi filme engraçado. Eu não comi cinco
porções de frutas e hortaliças, eu não tirei uma selfie que preste num jardim
bonito do mundo.
Eu simplesmente não
acordei cedo para correr e o fluxo da vida ficou estagnado, cheio de provas,
livros e papeis que não sei aonde vão parar.
Essa crônica tem prazo
de validade, eu acho. E espero que se expire após 24h, junto desse mal humor, assim
que de novo eu acordar, só que dessa vez mais, cedo, para que eu possa correr,
alongar e voltar a sorrir, desejar que ano que vem eu esteja em outro lugar.